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sábado, 22 de janeiro de 2011

'Cuidado com o génio da lâmpada'

Desde sempre estamos habituados à ideia mágica, pura e naif do que significa pedir um desejo. Acreditamos, do mesmo modo infantil, que estes pedidos se vão realizar (com toda a certeza), pelo facto de se designarem 'Desejos' mas principalmente porque os pedimos, com jeitinho. E com modos: 'Por favor. Vá lá. E obrigado'.

Pedimos desejos por tudo e por nada. Pedimos por altura do nosso aniversário, no momento em que mordemos uma vela. Lá vai um. Pedimos quando vemos uma estrela cadente. Pedimos na passagem de ano, enquanto engolimos atrapalhadamente, entre brindes e abraços, as doze passas cuidadosamente separadas para não escapar nenhuma. Pedimos também, já noutra modalidade, a todos os nossos Deuses (de acordo com a espiritualidade de cada um) e em alguns casos a todos os santos e anjinhos. E vão quatro. Pedimos, pedimos, pedimos.
De entre estes, uns são pedidos gerais, essenciais ou apenas banais. Os mais comuns são a saúde, a felicidade, o amor e o dinheiro. Por outro lado, desejamos coisas extraordinárias, dignas da presença do génio da lâmpada. E ainda assim, esperamos, e sabemos bem lá no fundo que simplesmente se irão realizar. Nem queremos saber como. Ao mesmo tempo que nos parece fantasioso e irracional, é mesmo a melhor maneira de se lidar com um desejo. Devemos pedir exactamente o que queremos por mais irrealizável que nos pareça. Se quisermos muito, é provável que aconteça. Tão provável, como não acontecer nada. 'Como??' Resumindo, para quem acredita na lei da atracção, tão em voga, é provável que tudo o que queremos com sentimento aconteça. Não interessa como, por que meios, ou por mão de quem. Se tiver que acontecer, vai acontecer. De qualquer forma a questão aqui não é esta. Para esta matéria dirija-se à seccção de 'Auto ajuda' da livraria mais próxima. É uma boa questão mas vamos agora centrar-nos noutro assunto.

E se por acaso esses desejos se realizam? O que fazemos com eles? Há quem diga que o problema não é quando um desejo não se realiza mas sim o contrário. Faz sentido. Ora bem, se o que desejamos com tanta força se realiza passado um longo período de tempo, pode muito bem já não fazer parte da nossa vontade no momento. Pode, por isso, passar de sonho a pesadelo num instante. Por outro lado, aquilo que imaginamos querer muitas vezes não é bem o que queremos. Ou porque ainda não experimentámos, e por isso não sabemos se gostamos ou porque mudámos e mudam também os nossos desejos. E que pesadelo pode ser um desejo realizado.

Tentamos depois remediar. 'Sr. Génio da Lâmpada, posso por favor pedir um quarto desejo para inverter o terceiro?' Nada feito, caro Aladino.
Tenho muito cuidado hoje em dia com aquilo que desejo. Sei lá se não se realiza mesmo.